Peruíbe (13) 3451-7000 | Itanhaém (13) 3421-9999

Imprensa
Suicídio: é preciso falar sobre o assunto

24/09/2018

*Por: Dra. Patrícia Cristina Pereira

 
Estamos no mês de setembro, o qual representa a campanha brasileira de prevenção ao suicídio, que teve início em 2015 por uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV) e, por isso, o Centro Clínico Peruíbe abre este espaço para mais esclarecimentos sobre o assunto.
Mundialmente, o suicídio acomete mais de 800 mil pessoas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). É a segunda maior causa de morte no mundo, entre jovens de 15 a 29 anos – a primeira é a violência.
 
Atualmente o suicídio caracteriza-se como um problema de saúde pública devido à alta e constante incidência. Está presente em todas as sociedades e classes sociais, gerando grande impacto na vida de familiares, amigos e colegas de trabalho da pessoa que tenta ou comete o ato suicida.
 
Enfatiza-se que os motivos pelos quais uma pessoa pensa e acaba por cometer o suicídio - por um lado - é seu desejo de acabar com o sofrimento vivenciado como desesperador, insuportável e sem solução - e por outro -  sua necessidade em comunicar às outras pessoas tal sofrimento, ou seja, é um pedido de socorro de quem já não tem mais forças para lutar sozinha.
 
As causas de tamanho sofrimento são inúmeras e muito particulares, porém pode-se ressaltar os transtornos de humor (depressão, por exemplo) que fragilizam a capacidade do sujeito de enfrentar e superar as adversidades da vida, tais como: perda de entes queridos, divórcio, doenças crônicas, perda de emprego, dificuldades financeiras, aposentadoria, perda de status socioeconômico, entre outras.
 
Entretanto, é de suma importância ressaltar que o suicídio é um problema passível de prevenção e intervenção pois, na maioria dos casos, a pessoa planeja o ato por algum tempo, definindo a data e o modo que utilizará sendo, raramente, um ato impulsivo.
 
Com a ajuda psicológica, 90% dos casos de suicídio poderiam ter sido evitados, porém as pessoas não buscam por tal ajuda devido à falta de informação – não sabem que possuem uma doença e que necessitam de um tratamento. Portanto, a informação é uma poderosa aliada na prevenção ao suicídio.
 
Entretanto, devemos ter cuidado para não confundirmos informação com “notícia”. O suicídio não deve transformar-se em notícia para que não tenha o efeito de “suicídio por imitação”, isto é, pessoas que cometem o suicídio imitando os meios utilizados e divulgados pela mídia com relação a outros suicidas.
 
Quanto a isso, é importante ressaltar que a mídia não é a culpada pelo suicídio. O que ocorre é a predisposição ao suicídio das pessoas que veem notícias sobre o assunto, fazendo parte do grupo de risco a motivarem-se ainda mais com tais notícias.
 
Portanto, quando menciono “informação”, quero dizer informar a pessoa que pensa em tirar sua vida, que ela não está sozinha e que há outros meios – excluindo a morte - para acabar com seu sofrimento e tratar a doença, motivando-a a procurar ajuda profissional. Além disso, a informação também ajuda familiares e amigos a aprenderem a acolher e como lidar com tal pessoa.
 
Mitos Sobre o Suicídio
 
Mito - Quem ameaça não irá cometer o suicídio realmente; só quer chamar a atenção
 
Não se trata de uma ameaça e, sim, um pedido de ajuda. Raramente o suicídio ocorre sem aviso algum, portanto, é muito importante ficar alerta a qualquer expressão sobre intenção de suicídio, mesmo que em tom de brincadeira.
 
Mito – Se a pessoa sobrevive à tentativa de suicídio, não irá tentar novamente
 
Ao contrário desse pensamento, a pessoa que sobrevive à tentativa, corre um risco ainda maior de tentar outra vez
 
Mito – Não há como impedir
 
Mesmo que a decisão para tirar a vida já tenha sido tomada, sempre há como impedir o suicídio, sendo necessários acolhimento e ajuda profissional.
 
Mito – Não se deve falar sobre suicídio
 
Abrir espaço para o diálogo e acolher a pessoa pode ser de vital importância para salvar sua vida
 
Mito – Pensar em suicídio é sinal de fraqueza
 
Esse mito é extremamente prejudicial pois, o suicida é alguém que sofre profundamente devido a alguma doença psicológica e pensar que é fraco - além de não ser verdade - potencializa tal sofrimento
 
Mito – Melhora de humor significa desistência do suicídio
 
A melhora de humor pode significar um alívio justamente porque a pessoa decidiu tirar sua vida e, por isso, sente-se mais tranquila e alegre por pensar que seu sofrimento está prestes a “acabar”
 
Sinais de Alerta
 
A pessoa que apresenta uma ideação suicida (pensa no suicídio) geralmente dá alguns sinais perante os quais as pessoas ao seu redor devem ficar alertas, principalmente se virem dois ou mais ao mesmo tempo:
 
Comentários como: “Vou desaparecer”; “Queria nunca mais acordar”; “Irei deixar vocês em paz”; “É inútil tentar mudar, só quero morrer”
 
Isolamento Social – O potencial suicida já não atende mais o telefone, cancela atividades e eventos, não conversa mais com amigos e familiares pois, prefere ficar sozinha.
 
Desfazer de objetos – Este é um sinal clássico de que a pessoa pensa em suicídio. Ela começa a dar a amigos e parentes, objetos de valor e importantes para ela.
 
Tranquilidade repentina – Quando a pessoa decide que realmente irá tirar sua vida, ela pode apresentar felicidade e tranquilidade pois, em sua mente, seus problemas em breve serão resolvidos. Portanto, esta pessoa precisa de ajuda urgentemente.
 
Caso você conheça alguém que, aparentemente, dê sinais de desejo em tirar a própria vida ou talvez este alguém seja você mesmo, não hesite em procurar acolhimento e ajuda com pessoas queridas e com profissionais da saúde mental (psicólogos e psiquiatras).
 
Além disso, o CVV – Centro de Valorização da Vida - disponibiliza telefone (188), chat e e-mail por 24 horas diariamente (www.cvv.org.br).
 
O sofrimento do potencial suicida pode ser profundo demais para ser enfrentado sozinho (mesmo porque ele já não consegue mais visualizar soluções), por isso, é de vital importância a ajuda de amigos e familiares e o atendimento psicológico.
 
 Quanto a este último, salienta-se que a pessoa será acolhida sem julgamentos, de maneira confidencial e aprenderá como fortalecer-se psíquica e emocionalmente, aumentando suas potencialidades - incluindo a resiliência perante as adversidades da vida – além de realizar descobertas sobre si mesmo e o que lhe faz feliz.
 
Dra. Patrícia Cristina Pereira (CRP 06-96.815) é Psicóloga.

Gestão da Comunicação e Qualidade
Graziela Jabur
comunicacao@centroclinico.com.br

Voltar