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NOTA DE ESCLARECIMENTO DO CBR SBM E FEBRASGO SOBRE PUBLICAÇÕES FALSAS A RESPEITO DA MAMOGRAFIA

21/09/2020

O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) se veem no dever de divulgar uma resposta a publicações feitas nas mídias eletrônicas (Facebook, Youtube, entre outras) que disseminaram de maneira irresponsável informações distorcidas sobre a detecção e diagnóstico do câncer de mama.

O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) se veem no dever de divulgar uma resposta a publicações feitas nas mídias eletrônicas (Facebook, Youtube, entre outras) que disseminaram de maneira irresponsável informações distorcidas sobre a detecção e diagnóstico do câncer de mama.

 

Assim, esclarecemos:

 
1) O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as mulheres e a principal causa de morte por tumor no Brasil e no mundo. Entretanto, diferentemente dos países desenvolvidos, no Brasil a mortalidade pelo câncer de mama continua aumentando.
 
2) A causa do contínuo aumento da mortalidade pelo câncer de mama é a falta de programas populacionais adequados de rastreamento com mamografia ou a baixa adesão das mulheres aos programas oferecidos – principalmente devido à falta de informação ou então acesso a informações distorcidas, como estas recentemente veiculadas. Assim como a falta de acesso em tempo hábil aos tratamentos recomendados.
 
3) Deve-se enfatizar que a mamografia é o único exame que, quando realizado de maneira sistemática a partir dos 40 anos em mulheres assintomáticas, comprovadamente leva a uma redução da mortalidade pelo câncer de mama. Isso foi demonstrado através de grandes estudos realizados em mais de 500 mil mulheres, sendo observada uma redução da mortalidade que variou entre 10% a 35% no grupo de mulheres submetidas ao rastreamento em relação às que não eram submetidas.
 
4) Dessa forma, as principais sociedades médicas no Brasil e no mundo são unânimes em recomendar o rastreamento mamográfico para as mulheres assintomáticas, iniciando a partir dos 40 anos ou 50 anos (dependendo do país), com uma periodicidade anual ou bienal (também variando em alguns países). No Brasil, as sociedades médicas recomendam o rastreamento mamográfico anual para as mulheres entre 40 a 75 anos. A ultrassonografia e a ressonância magnética são utilizadas para o rastreamento complementar, sempre após a mamografia, devendo ser reservadas para alguns grupos específicos de mulheres, como as de alto risco ou com mamas densas.
 
5) Não existe recomendação pelas sociedades médicas ou mesmo programas de rastreamento que utilizem a termografia ou o exame tríplice (ultrassonografia associada a elastografia e Doppler) no rastreamento do câncer de mama. Não existem estudos que demonstrem que esses métodos são no mínimo equivalentes à mamografia na detecção do câncer de mama.
 
6) O risco de câncer radioinduzido é extremamente baixo, se considerarmos as doses de radiação envolvidas em cada exame. Também o risco de câncer de tireoide induzido pela mamografia é insignificante, não se recomendando a utilização de protetor de tireoide. A compressão da mama durante o exame não aumenta o risco de disseminação do tumor, sendo essencial para a qualidade do exame.
 
Dessa forma, a indignação é relevante porque várias pessoas que tiverem acesso a essas publicações podem considerar não realizar a mamografia, o que significa a perda da chance de detectar o tumor de mama em uma fase inicial, em que se pode oferecer não só a possibilidade de cura, como tratamentos menos agressivos.

Fonte: Comisso Nacional de Mamografia - Colgio Brasileiro de Radiologia e Diagnstico por Imagem (CBR), Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e Federao Brasileira das Associaes de Ginecologia e Obstetrcia (FEBRASGO).